Por trás da realidade por Fernanda Barletta

Por trás da realidade

Por Fernanda Barletta

O mundo que enxergamos e a forma como a ele reagimos, é conseqüência daquilo que conhecemos no mundo, das experiências adquiridas ao longo da vida, dos fatos já vividos. Todas as pessoas são assim. Mas faz-se necessário olhar além desses horizontes e ver por trás da realidade o mundo a mais que existe. O mundo que carece de atenção urgente, que grita por socorro para não se tornar inda mais cruel e desumano.

O mundo está alicerçado na família, independente da classe social e é através das famílias que podemos fazer algo para melhorar a perspectiva de futuro dessas pessoas e consequentemente a de todos.

Porque uma pessoa se envereda no crime? A maioria por necessidade financeira, por falta de oportunidade na vida, por querer fazer algo pela família. E quem mais sente uma prisão é a família, que se vê as voltas com dividas, compromissos, desespero. Quando é possível estar visitando tem-se de certa forma a presença apesar do modo como é o procedimento, mas quando não se é possível estar visitando ai fica a ausência total e aquele preso fica presa fácil para os criminosos de grupos e facções.

Já se parou pra pensar na verdade que é o sistema penal? Colocamos todos os bandidos, bom todos não que os mensaleiros continuam a solta, mas enfim, coloca-se o bandido na cadeia e ai, deixa-se lá, esquece-se dele, mas este homem ou mulher tem uma pena a cumprir e depois é reintegrado à sociedade, então pergunto? Como será a vida dessa pessoa e da família ligada á mesma? O crime vai aparecer com o dinheiro fácil, com a vida inconseqüente e as dificuldades urgindo à porta… As chances desse homem não voltar para o crime são muito pequenas.

Temos que mudar nosso sistema penal, de forma a realmente reeducar as pessoas, readequá-las à vida em sociedade. O termo certo para detentos é reeducandos, mas estamos fazendo isso? Ou as cadeias se tornaram deposito de seres humanos ou faculdade de crime? Cursos profissionalizantes, oficinas de trabalho, algo que possa garantir aquele ser uma chance de conseguir alguma colocação no mercado após anos e anos ausente.

É preciso mudar esta realidade e começando a tratar as famílias dos reeducandos de maneira a dar mais condições de vida digna a todos sem distinção como reza nossa Constituição.

A maior parcela da população brasileira tem condição financeira não adequada ao necessário. É justamente a parcela que mais se envolve com o crime. Para dar o mínimo de solução possível à questão de criminalidade é preciso tratar as raízes do problema. As famílias de reeducandos são discriminadas pela sociedade, as crianças são vitimas de piadas, brincadeiras de mau gosto. Muitas vezes as mulheres são donas de casa que de um minuto para outro se vêem as voltas com responsabilidades dantes não atribuídas a elas.

Centros de apoio à família do reeducando, onde as famílias encontrariam suporte psicológico, jurídico, cursos profissionalizantes, cooperativas de trabalhos manuais. Enfim, coisas que fazem muita diferença na previsão de futuro dessas pessoas. E se as famílias encontrarem no governo um apoio não assistencialista, mas sim de forma a possibilitar a essa família sustento, trabalho, esses homens a essas famílias ligados têm muito maior chances de recuperação, de reabilitação à sociedade.

São atitudes que vão mudar o presente e o futuro de toda a sociedade. Precisamos punir os bandidos, mas sem esquecer que eles voltaram à sociedade após determinado tempo, cabe a cada um de nós decidir de que modo queremos nosso futuro. Todos nós queremos viver em paz e todos temos esse direito e o dever de fazer tudo para que isso aconteça. Urge o momento que devemos olhar sob outro ponto de referencia, mudar de papeis, colocarmo-nos no lugar das outras pessoas e ver além da realidade que estamos habituados a ver, que existe um mundo que grita por socorro, um mundo de pessoas que querem uma vida honesta, digna, de paz e justiça a todos sem distinção. Cabe a nós, cada um de nós fazer esse grito de socorro não ser em vão.

Por trás da realidade está o inicio de um mundo mais justo, digno e humano a todas as pessoas.

FERNANDA BARLETTA