Em defesa de um projeto para o Brasil por Marcelo Teixeira

Em defesa de um projeto para o Brasil.

Por Marcelo Teixeira

O século XXI começa com a expectativa de que politicamente, o mundo não sofrerá abalos na área política. Esta estabilidade se deve, em grande parte, a conjuntura internacional, pois não há mais a guerra fria, a disputa da hegemonia entre capitalismo e comunismo, pois com a falência dos modelos inspirados no comunismo, ou seja, socialismo real, implantado na Rússia e repúblicas vizinhas (ex URSS) e países do Leste Europeu, como Hungria, Bulgária, Polônia, Albânia, República Tcheca, Eslováquia, Sérvia, Montenegro, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina (estes cinco últimos países que formavam a ex Iugoslávia).

Não se trata do fim da História, como afirmou o cientista político norte americano Francis Fukuyama, pois o capitalismo não venceu como sistema sócio-econômico, pois ele vive sendo contestado em várias partes do planeta, em manifestações anti-globalização. Um outro exemplo vem do fato dos Estados Unidos não conseguirem impor a implantação da área livre de comércio das Américas, a ALCA ao restante das nações latino americanas, ao contrário da Europa que conseguiu implantar uma moeda que rivaliza com o dólar, o Euro, em quase todos os países do continente.

A arena de combate na geopolítica internacional se resume na luta entre Israel e os países árabes, pela criação de um estado palestino. Os Estados Unidos, o maior aliado de Israel, também sofre as conseqüências deste conflito, como o fiador das ações israelenses.

Alguns países da América Latina, como Brasil, Venezuela, Nicarágua, procuram se distanciar da política externa norte-americana, tentando construir o seu próprio modelo sócio-político.

O Brasil, se é estável em relação à situação externa, o mesmo não se pode afirmar a respeito da situação interna.

O país vive um período inédito na história republicana, pois estamos dentro de um modelo político consolidado, onde já tivemos cinco eleições diretas para presidência da república, partidos políticos com enraizamento social, como PT e PSDB.

Se politicamente, vamos bem, economicamente vamos mal.

Embora, tenhamos quitado as dívidas com o FMI, o Brasil ainda assim, não se desenvolve a contento. O motivo disso? A ausência de um projeto nacional.

Os liberais argumentam que um projeto nacional, irá resultar em intervenção do estado na economia, fazendo ressurgir o “monstro estatal” criado durante o regime militar (1964-1984).

Agora, eu pergunto: Em que a liberalização da economia resultou? Na desindustrialização do país, onde alguns setores da indústria se tornaram meros importadores.

Essa liberalização, que teve início, no governo Collor, não trouxe benefício social algum.

Lógico, que o modelo estatal estava superado, mas não se faz uma abertura econômica, quando a indústria nacional , não está preparada para a concorrência externa. Culpa do estado paternalista, argumentam os contrários, mas a questão agora, não se trata de achar os culpados e sim de achar respostas para a questão.

A indústria nacional deveria passar por um processo onde a pesquisa seria o componente fundamental. Aí, sim, poderíamos fazer a abertura.

O Estado sim, deve assumir uma postura desenvolvimentista, e não um gerenciador de crises, como é hoje.

A educação deve passar por um processo onde a valorização do professor, não seja feita somente através do aumento de seus vencimentos, mas também através de cursos de atualização constantes. A escola não deve formar apenas técnicos e consumidores e sim, cidadãos que saibam interagir de forma que modifiquem a sua realidade.

Enfim, deveremos ter um modelo econômico, que diminua acentuadamente a vulnerabilidade externa e promova a redistribuição de renda.

Os nossos economistas já provaram que sabem muito bem gerenciar um plano de estabilização. O que precisamos agora é de um plano de desenvolvimento que ao mesmo tempo, que modernize a economia nacional, redistribua a renda, diminuindo assim as mazelas sociais.