Por que somos míopes? – por Luiz Felipe Rosa

Por que somos míopes?

Luiz Felipe Rosa*

.

.

Poderíamos tratar de tantos temas, mas uma postagem em 30 de dezembro não poderá se furtar do tema central: o ano. O já velho e o novo. O passado e o futuro. O de realidade e o de sonhos. O ano dois mil e quinze da Era Cristã, 193º da Independência e 126º da República, primeiro ano do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff e 13º ano da gestão PT. Que ano! Do discurso de posse a esse 30 de dezembro, aconteceu de tudo nessas terras tupiniquins: de prisão de empreiteiro a prisão de Senador, de pátria educadora a corte do FIES, de país com grau de investimento a perda de credibilidade, de pedido de cassação do presidente da Câmara ao pedido de impeachment da presidente.

.

Dilma balançou, STF segurou, ano que vem a gente descobre o que esse samba vai dar… E por falar em samba, xingaram o Chico. O grande Chico Buarque de Holanda que antes via a banda passar, mas parece não ter se atentado para o bando que passou e roubou o preciosos dinheiro público.

.

Dois mil e quinze foi o ano da Lava Jato, que já virou marchinha com o “Japonês da Federal”. A palavra, infelizmente, continua sendo corrupção. Sérgio Moro virou personagem cotidiano de nossas conversas, é a versão nova do herói nacional. E como precisamos de heróis, não? Contra tantos bandidos, contra tantas mentiras, contra tantos descalabros, onde estará nosso vigilante mascarado pronto para nos defender?

.

O ano que vem, 2016, deve carregar no seu mapa astral a resolução de alguns desses problemas, mas são tantos os outros que nos resta apenas rezar para que sejam igualmente resolvidos: a seca, os alagamentos, a pobreza, o ISIS, os imigrantes e os refugiados, as doenças, etc, etc, etc.

.

Nessa altura, o leitor já deve se perguntar por que então do título? Por que afinal somos míopes? Somos porque enxergamos o mundo da forma que queremos, como queremos. Triste é o país que ao invés de discutir com seriedade seus problemas faz marchinha, que zomba, que berra e que não escuta, que rotula as pessoas como “coxinhas” ou “petralhas” sem lhes dar a mínima atenção. Somos míopes para os problemas de nosso entorno, para as questões sociais, para a corrupção do guarda de trânsito quando ela nos convém. Somos míopes para os imigrantes que diariamente chegam ao Brasil e que não encontram aqui a devida acolhida. Somos míopes para tudo que nos é estranho ou para tudo que não garante curtidas no Facebook. Dois mil e quinze foi o ano do “Je suis”, uma justa solidariedade viralizada, mas que fechava os olhos para o próximo, para o vizinho, para o nosso cotidiano e nossas mazelas.

.

Assim, precisamos que 2016 seja um ano de visão para que consigamos vencer as nossas barreiras e nossos muros, para criarmos algo que vá além de rótulos, de pensamentos mesquinhos, de apontar o dedo ao invés de pensar a solução. Teremos eleições, poderemos construir o novo. Tenhamos esperança! Dois mil e quinze já é passado, já está feito, mas 2016 não. Podemos enxergar mais, podemos enxergar melhor e que tenhamos saúde, paz e coragem para fazer a diferença. Vamos cantar, ainda que sem o Chico, a marchinha do “Japonês da Federal” ou encaremos com seriedade nossos problemas para corrigir de vez a nossa miopia e, então, poder, finalmente, cantar que já podem os filhos da pátria ver contente a mãe gentil?! Feliz Ano Novo!

.

Luiz Felipe Rosa, 28, é formado em Relações Internacionais pela PUC-SP, Secretário-Geral do Diretório Zonal Indianópolis (São Paulo/SP) e Conselheiro Participativo eleito. Foi Secretário de Formação Política da Juventude do PSDB de São Paulo, capital.

.

.