Mais sobre populismo versus progressismo – por Charles W. McNaughton

Mais sobre populismo versus progressismo

por Charles W. McNaughton

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Tomando carona no artigo do presidente Fernando Henrique Cardoso, publicado na data de hoje no jornal Estado de São Paulo, esboço algumas reflexões sobre diferenças entre populismo e progressismo. Segundo o presidente Fernando Henrique, populismo é caracterizado por benefícios passageiros que não se sustentam. Trata-se daquele ganho imediato que não se renova, não se perpetua no tempo.

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Agora, um ponto adicional, convém explicitar: o ganho do populismo de hoje, geralmente, compromete a possibilidade de se gerar um bem para o amanhã. Daí seu caráter indesejável. Quando se gera um “deficit”, aumentando-se a dívida que deverá ser paga no futuro, quando se cria uma despesa sem receita, comprometendo-se as finanças, quando tarifas são seguradas de modo artificial, prejudicando a capacidade do Estado ou da concessionária de desempenhar o serviço público com qualidade, cria-se um problema a ser equacionado no futuro, cria-se um ônus, normalmente mais gravoso do que o bônus.

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Outra forma de populismo é deixar de enfrentar problemas com medo de se desagradar certos setores da sociedade que têm poder de desgastar governos.

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Um exemplo digno de nota é o da seguridade social.

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É fato notório que a previdência, no futuro, será insustentável. O problema é aritmético: ou os benefícios são reduzidos, ou as contribuições devem aumentar (seja por majoração de tributos, seja por se aumentar o tempo de contribuição). Mas como a solução passa por uma medida, digamos, “antipática”, empurra-se o problema com a barriga.

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Infelizmente, a bandeira da responsabilidade foi rotulada, injustamente, de neoliberal, de de conservadora, prejudicando um debate racional sobre o tema. Mas é chegada a hora do progressismo se diferenciar do populismo.

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Como progressistas devemos refletir como conseguir melhorias duradouras para as próximas gerações. Isso passa por aprimorar a educação, a saúde, o saneamento básico, a infra-estrutura, aspectos básicos que deixamos a desejar.

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Se em 2016, focarmos em questões como essas, talvez em 2036 o país esteja em outro patamar.

Feliz 2016 a todos!

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