O ano da transparência – por Ramalho da Construção

O ano da transparência

Por Ramalho da Construção*

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O Brasil viveu um ano de grandes perdas em 2015. Poucas vezes na minha vida eu vi tanta realidade sendo demonstrada aos olhos da nossa população, mesmo daqueles que preferiam não ver.

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Foi um ano em que vimos a situação real do Brasil construído pelos anos de política populista dos governos Lula e Dilma, como um vento que levou o castelo de areia do marketing e nos fez enxergar que abaixo dele havia apenas um buraco que sugou algumas das mais importantes conquistas do nosso povo nos últimos 20 anos.

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Também ficaram expostas as graves conseqüências causadas pela corrupção no nosso país, com um alcance que nenhum de nós imaginava. E visíveis ficaram as tramas políticas e econômicas que sustentam a incompetência que ataca o Brasil.

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Desiludido, desempregado e endividado, o povo brasileiro chega ao novo ano de 2016 com uma profunda fome por poder confiar novamente em seu país, nas suas lideranças sociais, políticas e econômicas. Vivemos uma sede de esperança, de motivos para acreditar em um futuro melhor.

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Apontar esses caminhos é responsabilidade de todos nós que temos algum tipo de liderança: dirigentes e militantes políticos, sindicais, de movimentos sociais, empresariais, etc. E há apenas uma maneira de trilhar esses caminhos de modo a inspirar na sociedade o desejo de nos seguir: a transparência.

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É nosso papel expor de forma clara o que nos une, os métodos que usamos para atingir os objetivos, admitir nossos erros e defeitos, trabalhar para corrigi-los sem titubear, cortar na carne se for preciso. O povo brasileiro não quer mais ver a realidade sendo varrida para baixo de um tapete.

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Se as pessoas realmente comprometidas com o futuro do país não se conscientizarem dessa nova maneira de construir sua relação com aqueles que pretendem liderar, certamente veremos o ressurgimento da terrível figura do “salvador da pátria”, a figura populista e personalista que se aproveita da falta de credibilidade das instituições e finge ter a solução dos problemas a um estalar de dedos. Já vimos esse filme na eleição do ex-presidente Fernando Collor, e sabemos que não acaba bem.

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Na Roma antiga, o imperador Júlio César disse que “não basta que a mulher do imperador seja inocente, é preciso que sequer seja suspeita”. Em 2016 este deve ser o nosso lema. Pois quanto mais transparência as pessoas de bem derem às suas ações e às instituições que comandam, menos espaço daremos ao sentimento de que somos todos iguais e ofereceremos mais esperança ao povo brasileiro de que um futuro melhor é possível.

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* Ramalho da Construção é deputado estadual (SP) e presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP).

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