Moção de repúdio ao Deputado Federal Paulo Eduardo Martins (PSDB)

O Movimento PSDB Esquerda Pra Valer vem em nota repudiar de forma veementemente a fala do deputado federal Paulo Eduardo Martins (PSDB-PR) no dia 26 de Maio, chamando de estúpidas todas as declarações que afirmam existir uma cultura de estupro no país.

Também somos contrários à declaração do deputado federal, proferida na mesma data, em apologia à tortura, através da afirmação de que estupradores seriam didaticamente violentados na cadeia.

A afirmação do deputado, no dia 27 de Maio, de que nenhuma mulher havia sido estuprada na Marcha de Jesus deixa claro que o mesmo culpa a vítima pelo estupro sofrido, uma vez que ela estava em um local físico julgado inapropriado por ele.

No mesmo dia, o deputado afirmou que crimes de homicídio causariam revolta maior que crimes de estupro; demonstrando claramente sua incapacidade empática perante todos os seres humanos.

Todas as falas anteriores demonstram que quadros políticos do nosso país propagam a cultura do estupro em seus discursos abertamente, mesmo negando-a.

Estas falas revoltantes e inoportunas não devem ser toleradas em qualquer espaço político, principalmente por parte de um dos nossos representantes – configurando uma grave quebra de decoro parlamentar. Não devemos tolerar tais afrontas aos Direitos Humanos e aos direitos individuais de expressão. Reiteramos que essas falas não compactuam com a atuação democrática de um parlamentar, muito menos de um filiado ao PSDB.

Em um momento de delicada crise política, onde nossa jovem democracia ainda carrega as seqüelas da ditadura, não podemos confundir a liberdade de expressão com a irresponsabilidade, a intolerância e a anti-democracia de posições que pregam o ódio, a desinformação e a apologia de crimes.

Posto isso, esperamos que a liderança do PSDB na Câmara dos Deputados e a Executiva Nacional do PSDB manifestem claramente que essa opinião não nos representa. Consideramos ainda que tais declarações estão em desacordo com o compromisso do PSDB com os Direitos Humanos, por isso solicitamos que o Conselho de Ética analise as declarações acima mencionadas e se manifeste.