Esquerda e Direita cada vez mais parecidas na comunicação – por Ernesto Vivona

ESQUERDA E DIREITA CADA VEZ MAIS PARECIDAS NA COMUNICAÇÃO

por Ernesto Vivona
Nos EUA costumam dizer que não há nada mais perecido com um republicano do que um democrata. O Brasil segue a passos rápidos para viver a mesma situação. Pelo menos no que se refere à forma como se comunicam no mundo virtual e, até, na imprensa tradicional, a esquerda e a direita brasileira.
Uma rápida passada de olhos pelas redes sociais, toda manhã, já nos mostra esse quadro. São inúmeras notícias que nos chamam a atenção. Muitas delas, no entanto, meras ficções, textos ruins e reportagens mal apuradas (deliberadamente ou não). O espectro à esquerda da sociedade brasileira elegeu a Revista Veja como grande inimiga, acusando-a, com razão, de imprecisão jornalística ao acusar o governo do PT. Não é difícil encontrar exemplos de reportagens e matérias em que Veja realmente errou, ou foi pouco rigorosa na apuração de dados, no seu papel de detrator dos governos petistas. Ao lado dela, uma série de publicações segue o mesmo caminho, principalmente, na internet. Alicerçadas na polarização política do nosso tempo e da quase certeza de que seus textos mal serão lidos, entregam títulos recheados de má intenção.
Como forma de contrapor a grande imprensa, revistas e jornais menores, como Carta Capital, Caros Amigos, Brasileiros, entre outras, passaram a fazer a defesa do governo petista ou o ataque frontal às lideranças da oposição, aliadas a vários órgãos de jornalismo na internet. Assim, gente como Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada), Luis Nassif (GGN), o grupo q publica o 247, Fórum, Diário do Centro do Mundo, deixam de fazer jornalismo para publicarem panfletos partidários.
Um bom exemplo disso é a reportagem do portal Caros Amigos, publicada em primeiro de fevereiro deste ano, que afirma em seu título que “Doria maquia dados do Corujão para inflar eficiência da parceria com setor privado”. Diz o texto da matéria que dados da própria Prefeitura colocam em dúvida o número de 100 mil atendimentos do programa. Quem lê o título e o lide pode até acreditar nisso.
Quem se dá ao trabalho de ler a todo o texto, percebe que não há ali nenhuma evidência de que há maquiagem nos números. A repórter não faz nem a soma dos números que ela mesma apresenta: “55 mil ultrassonografias, 12 mil mamografias, 5 mil ecocardiografias, 5 mil tomografias e 2 mil exames de densitometria óssea”, que mostram 79 mil atendimentos. Esquece, ou deliberadamente não dá importância, que a própria administração deu o número de 30% de faltas aos exames. Ou seja, a fila foi diminuída em mais de 110 mil pessoas. Mas isso pouca importa à reportagem. O que vale mesmo é dar a impressão de que o atual governo municipal mente.
Segue o texto com a avaliação de um coordenador da União dos Movimentos Populares de Saúde de São Paulo, dizendo que seria impossível que rede pública tivesse feito, ao lado da rede privada, o número de atendimentos que a Prefeitura afirmou ter concluído. Só opinião, nenhum dado técnico que demonstre o que ele diz. Em nenhum momento foi ouvida qualquer autoridade da Prefeitura. A matéria se limita a usar os dados que encontrou em nota, sem avaliar ou procurar entender os números. A intenção é clara: atacar o governo tucano, por um lado, e dar uma coloração ideológica ao dizer que a utilização do setor privado, nesse programa, tem a intenção de sucatear os equipamentos públicos para privatizá-los.
Mera opinião.
Esse é só um exemplo. As publicações e, principalmente, a internet, estão repletas de casos parecidos, à direita e à esquerda. O vale tudo pela venda de sua ideia me parece muito ruim. A esquerda usar do artifício que tanto critica na direita, estigmatizando adversários e mentindo literalmente, só traz a falta de credibilidade para esses órgãos de comunicação. É nítido que a Veja é hoje muito pouco repercutida pelos próprios adversários dos governos petistas, porque o leitor mais atento não dá mais importância ao que ela publica.
O mesmo vem acontecendo com revistas e blogs que tinham, à esquerda, essa aura de credibilidade. Qualquer pessoa com um mínimo de informação não os levam mais a sério.
Ernesto Vivona, tem 52 anos, jornalista.