José Gregori e Eduardo Suplicy recebem prêmio Santo Dias na ALESP

         O Esquerda pra Valer esteve em peso na noite desta segunda-feira (20/02) no auditório Franco Montoro na Assembléia Legislativa de SP para acompanhar a solenidade para a entrega do 20º Prêmio Santo Dias.

              Estiveram presentes, Fernando Guimarães, Tiago Toledo, Donizete Beck, Ricardo Scog, Décio, Gustavo, Prof. Alexandre D`Atri entre outras lideranças do EPV.

         Nesta edição foram homenageados o vereador de São Paulo Eduardo Suplicy e o presidente da Comissão de Direitos Humanos da USP, José Gregori, além do Coletivo SP Invisível.

          O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais , deputado Carlos Bezerra Jr. (PSDB), leu a biografia de Santo Dias, que se tornou “um sinônimo de luta operária contra a ditadura e que ainda hoje inspira um sem-número de militantes dos direitos humanos”. Lembrou que a data da entrega do prêmio é oportuna por ser o dia em que se comemora o Dia Mundial da Justiça Social, instituído pela ONU em 2009.

Bezerra ressaltou que a mesa da premiação era simbólica, por reunir “representantes das maiores forças políticas do Brasil num tempo de polarização política e ameaças ao campo dos direitos humanos”. Afirmou ainda que o trabalho em direitos humanos não é fácil, não apresenta resultados a curto prazo, mas é “um bichinho” que faz com que as pessoas envolvidas não desistam da luta, por mais difícil que seja.

Visibilidade social

Os primeiros a receber o prêmio foram os estudantes de cinema André Soler e de jornalismo Vinícius Lima, idealizadores do Coletivo SP Invisível, projeto sócio-fotográfico que compilou, em três anos de trabalho, cem histórias de pessoas em situação de rua, que começaram a ser divulgadas numa página do Facebook e no site spinvisivel.org e que resultaram no livro A cidade que ninguém vê.

Após exibição de vídeo sobre o projeto, a entrega do prêmio foi feita por Luciana Dias da Silva, filha mais nova de Santo Dias. Ao agradecer, Soler disse que ele fará com que o projeto cresça mais. Lima afirmou que “a visibilidade é o primeiro passo para a garantia dos direitos humanos”.

O segundo homenageado da noite, o jurista José Gregori, recebeu o prêmio das mãos dos deputados Bezerra Jr. e Marco Vinholi (PSDB). O presidente da CDH destacou os mais de 40 anos de luta de Gregori pelos direitos humanos, que mesmo sob a ditadura, sob risco de vida, nunca deixou de lutar contra a opressão.

“A indignação é o gatilho para a luta pelos direitos humanos, que avançam quando alguém não se conforma com alguma injustiça que está ocorrendo”, disse Gregori ao agradecer o prêmio. Para ele, “nunca de deve perder a oportunidade de falar dos direitos humanos, principalmente quando o mundo tem Trump e o Brasil a bancada da bala”. O jurista ainda relembrou o enterro de Santo Dias, quando foi feito cortejo público, contrariando as autoridades, quando ele esteve à frente, ao lado de Eduardo Suplicy.

Direitos das minorias

Na presidência da solenidade, Vinholi leu a biografia do terceiro homenageado, o vereador da Câmara Municipal de São Paulo, Eduardo Suplicy, que também teve um vídeo sobre sua trajetória exibido. O deputado Marcos Martins (PT) fez a entrega do prêmio, e também falou da luta de Suplicy, principalmente em favor dos direitos das minorias.

Suplicy, em seu agradecimento, relembrou um dos casos de direitos humanos que acompanhou, o de Anderson (Sandra) Herzer, autor do livro A queda para o alto. Falou também da Renda Básica da Cidadania, citando como exemplo o estado norte-americano do Alasca, que decidiu partilhar com sua população parte dos royalties do petróleo.

A menção honrosa do Prêmio Santos Dias foi concedida ao advogado do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos Benedito Roberto Barbosa, ligado a movimentos pela moradia, representado pela sua mulher Marluce Pereira de Araújo Barbosa. Ao agradecer o prêmio, ela lembrou os anônimos espalhados pelas periferias de São Paulo, que atuam na defesa dos direitos humanos e da justiça social.

Biografias

Suplicy foi eleito vereador com 301.466 votos, tornando-se o parlamentar mais votado em toda a história da cidade de São Paulo. Antes disso, foi deputado estadual e federal, e senador por 24 anos, quando idealizou o programa Renda Básica de Cidadania, o Renda Mínima. Durante a gestão de Fernando Haddad, foi secretário de Direitos Humanos. Destacou-se pelo seu trabalho em defesa de minorias e de pessoas em situação de vulnerabilidade, inspirando cidadãos de todas as idades a se interessarem mais pelos problemas sociais.

O jurista e político José Gregori, militante dos Direitos Humanos desde estudante universitário, na década de 50, foi deputado estadual e secretário de Estado da Participação e Parceria do governo Montoro. É o principal responsável pela elaboração da Lei 9.140/1995, que reconhece como mortas as pessoas até então dadas como desaparecidas durante a ditadura no Brasil. Ainda foi secretário nacional dos Direitos Humanos do Brasil entre 1997 e 2000, e ainda ministro da Justiça entre abril de 2000 e novembro de 2001, no governo Fernando Henrique Cardoso. Hoje é presidente da Comissão de Direitos Humanos da USP.

Santo Dias

Dia 30 de outubro de 1979. Funcionários da extinta fábrica Silvânia, então localizada no bairro de Santo Amaro da capital paulista, promoviam um piquete por melhores condições de trabalho. A Polícia Militar desferiu tiros contra os grevistas e atingiu o líder do movimento, o metalúrgico Santo Dias, que trabalhava como motorista de empilhadeira na Metal Leve S/A. Morria o ex-lavrador que, em 1961, havia sido expulso com a família da fazenda onde morava, por exigir registro profissional conforme a lei.

Líder operário muito conhecido no meio do movimento sindical e nas bases da Igreja Católica, Santo Dias era casado e pai de dois filhos. A notícia de sua morte se espalhou rapidamente e provocou intervenção de autoridades eclesiásticas da Arquidiocese e da CNBB.

Velado na Igreja da Consolação, no centro da cidade, seu corpo foi levado para a Catedral da Sé, em cortejo seguido por 10 mil pessoas. Apesar de o governo militar proibir qualquer homenagem a Santo Dias, o que incluía até missa de corpo presente, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns a concelebrou com outros bispos, antes de o enterro seguir para o cemitério do Campo Grande, na zona sul de São Paulo.

O cortejo de Santo Dias acabou se tornando uma das maiores manifestações contra a ditadura militar.

Fotos por EPV

Fonte e Biografias: 

Site da Alesp por Monica Ferrero.