MANIFESTO DO MOVIMENTO

PSDB ESQUERDA PRA VALER

Pés fincados na história, olhos voltados para o futuro!

 

“PSDB, esquerda pra valer”! Foi entoando este grito que a Juventude do PSDB participou do II Congresso Nacional do partido, em 1993. Essas palavras tornaram-se, desde então, símbolo da constante vigilância dos filiados e simpatizantes do PSDB que querem um partido balizado por seu programa e coerente com suas bandeiras históricas.

Assim nasceu o Movimento PSDB Esquerda Pra Valer (EPV), que se organizou a partir de São Paulo em 2004, atuando em defesa dos princípios e compromissos da doutrina tucana, que se encontram no manifesto de fundação de 25 de junho de 1988, nos programas do partido de 1988 e 2007, e no seu estatuto.

Fortalecendo a integração entre os segmentos do partido, promovendo eventos de formação política e participando ativamente dos congressos do partido, o Esquerda Pra Valer tem uma constante atuação na defesa e promoção da ideologia tucana. Com o advento e popularização das redes sociais, o EPV passou a marcar uma forte presença no dia a dia de mais de 5 mil lideranças, militantes e simpatizantes do PSDB com qualificados debates sobre os fatos políticos e posicionamentos do partido.

Este crescimento não tem apenas origem na difusão de tecnologias sociais, mas também reflete o momento que o partido vive. Com o crescente desmantelamento da credibilidade dos governos petistas, a maioria da população se volta para o PSDB, maior partido de oposição, à espera de um projeto para o Brasil e de um enfrentamento sistemático ao governo federal e ao PT.

No bojo deste aparente fortalecimento do partido, uma armadilha. Setores conservadores, escorados no PSDB não por serem tucanos, mas sim anti-petistas, tentam direcionar o partido para uma postura liberal conservadora. Mais perigoso ainda é o fato de que parte do próprio partido tem sido seduzida a desempenhar este papel.

O momento político do país é delicado, uma demonstração clara das fragilidades do presidencialismo. A população perdeu a confiança no governo, nos partidos políticos, na Justiça e nas instituições. Há até mesmo quem tenha perdido a confiança na própria democracia, vide alguns grupos que lamentavelmente clamam por uma intervenção militar. Este é um conjunto de fatores que propicia o surgimento de lideranças populistas, e um cenário em que um partido com a história e a importância do PSDB tem o dever de oferecer coerência ideológica, capacidade de diálogo com diversos setores da sociedade, foco nas pessoas e, especialmente, um projeto de país que seja inclusivo e capaz de transformar a realidade social do Brasil. A demagogia de posicionamentos tomados meramente por conta eleitoral ou pelo desejo de desgastar ainda mais o atual governo não cabem.

O momento do próprio partido também é delicado, uma crise de identidade que nasce da oposição entre o programa e as bandeiras históricas do PSDB, de um lado, e os posicionamentos desejados por parte do eleitorado que, carente de um partido de direita com viabilidade eleitoral, projeta no PSDB a expectativa de uma mera alternativa viável ao governo petista. As eleições de 2014 demonstraram claramente que essa parcela do eleitorado não tem qualquer compromisso com o partido e é capaz de migrar para outra candidatura que apareça com chances de derrotar o petismo. Por outro lado, atender a alguns anseios desses setores tem afastado o PSDB dos movimentos sociais e sindicais, dos jovens, população negra, população LGBT e outras parcelas da sociedade que hoje decretam que o partido morreu com Franco Montoro e Mario Covas – incansáveis faróis que nos guiavam na direção da coerência ideológica.

Tudo isso, diga-se, sem o debate esperado em um partido que, em seu estatuto, afirma ter como base a democracia interna.
Frente a todos esses fatores, o PSDB Esquerda Pra Valer vê chegada a hora de se organizar nacionalmente na defesa do programa partidário, na reafirmação dos nossos valores democráticos e humanistas, para longe das benesses do populismo e de volta ao pulsar das ruas.

Substituir o PT no poder central não pode ser nosso único objetivo, e aliar-se cegamente a qualquer figura que se oponha ao governo petista não pode ser nossa estratégia. Superar a pobreza, promover um desenvolvimento que priorize o trabalho frente ao capital, apontar para o caminho da educação e da cultura, transformar os serviços públicos, e defender de forma intransigente os direitos humanos: esses são os objetivos programáticos do PSDB, esse é o nosso caminho!